Seguir a Cristo: Um convite para morrer

 

Por: Ana Chagas

 

 

"Quando Deus chama um homem, Ele o chama para vir e morrer."
Dietrich Bonhoeffer

 

Vivemos dias em que a essência da mensagem ensinada por Jesus Cristo tem sido distorcida por muitos que fazem uso do púlpito de muitas igrejas, em função de construírem ou mesmo manterem a sua própria popularidade diante de seus ouvintes. E, de forma sutil, podemos estar absorvendo filosofias mundanas sem necessariamente estarmos envolvidos voluntariamente com o mundo, digo isso no sentido das ideias que predominam em nossos dias. E a filosofia do pragmatismo prolifera cada vez mais num mundo em que

só é válido aquilo que leva a resultados visíveis, imediatos e que valham a pena ser ostentados. Por isso, não encontramos em todas as igrejas o convite de Cristo como um convite para morrer; mas apenas em igrejas sérias, que prezam pela fidelidade às Escrituras Sagradas. Quero abrir aqui um parêntese e externar que sou totalmente contra o movimento dos “desigrejados”, pois creio piamente que era e continuará sendo da vontade de Deus que seus servos, nós, que somos a Igreja do Senhor, nos congreguemos e edifiquemo-nos mutuamente na igreja, onde aprendemos a ser servos, a ser tolerantes, a exercer o amor, o perdão, o serviço, a humildade, o altruísmo, o repartir o pão, o socorro; etc. lembrando que tudo isso deve começar “em casa”, como disse Paulo: “Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.” (Gálatas 6:10). É no local de culto coletivo onde aprendemos cada dia mais, através do estudo fiel, a aplicação prática da Bíblia, onde aprendemos o que é ser cristão. Afirmo que, apesar de muitos estarem desvirtuando a verdadeira mensagem do Evangelho de Cristo, ainda vale à pena procurar uma igreja séria e comprometida com a Palavra de Deus, que permanece pregando o Evangelho da cruz, mesmo que ele soe como uma mensagem dura, e não o Evangelho de prateleira, onde cada ouvinte é afagado ouvindo um Evangelho maquiado que combine com o seu gosto pessoal.


Voltando ao cerne do nosso artigo, precisamos reconhecer a necessidade urgente que buscarmos mais a Deus por meio do genuíno reconhecimento de seu senhorio, de seu poder sobre todas as coisas, pela plena convicção de quem Ele é e de que sem Ele não vivemos, apenas respiramos, mas continuamos mortos; pois longe dEle nada tem sentido, e só Ele pode dar o verdadeiro e pleno sentido à nossa existência. Sem Ele estamos irremediavelmente perdidos eternamente. Falar sobre “seguir a Cristo” sempre é algo muito controverso, pois a maioria das pessoas diz a uma só voz “Eu sigo a Cristo”; ou ainda “Eu já tenho Jesus no meu coração”, ou ainda: “Eu já obedeço a Jesus; pois não bebo, não roubo, não fumo, não mato, etc.” Outros, simplesmente evitam falar sobre assuntos espirituais porque temem quanto à sua eternidade. Não querem compromisso algum com Deus, pois sua visão foi cegada por aquele em quem jaz este mundo perdido.


Jesus, em seu curto Ministério terreno trouxe aos homens um convite muito sério e especial. Quando Jesus fala acerca de segui-lo, sempre está falando no sentido genuíno, e não apenas em um “seguir” apenas de lábios. E Ele sabia perfeitamente que todos aqueles que o Pai o havia dado como suas ovelhas, estas ouviriam a Sua voz, e o seguiriam, ou seja, estes aceitariam o seu convite, mesmo que este seja um convite para a morte. João, em sua narrativa do Evangelho diz claramente que “Ele veio para os Seus, mas os seus não O receberam, mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, os que crêem em Seu Nome”. (Jo 1.11-12). O próprio povo judeu não deu ouvidos ao seu convite. Mas o convite foi lançado. E é lançado hoje ainda.
Numerosas multidões afluíam após o Senhor Jesus, cada qual com sua motivação; alguns o seguiam pelo pão e pelos peixes, outros pela cura física, e Jesus o sabia muito bem, e dizia isso claramente: “Vós me seguis pelo pão...” (Jo 6.26-27). Mas também havia dentre aquelas multidões aqueles que verdadeiramente o seguiam com fome e sede, mas uma fome e uma sede diferentes. Era uma fome do pão do Céu, do qual aqueles que comessem eram de fato do Senhor e teriam a vida eterna. Era uma sede da água da Vida, da qual todo aquele que beber jamais voltará a ter sede, a qual se tornará em seu ventre uma fonte que jorra para a vida eterna. Aqueles que iam após o Mestre para comer suas palavras e serem saciadas espiritualmente, estes o encontraram; pois buscaram de todo o coração.
Em diversas passagens dos Evangelhos podemos perceber como algumas pessoas reagiram ao perceberem, por ação do Espírito Santo, quem era Jesus e o que significaria segui-lo:

  • Pedro temeu e disse: “Aparta-te de mim, que sou pecador” (Lc 5.8-10).
  • Os discípulos ficaram atônitos e clamaram: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4.4);
  • Muitos se maravilhavam com a sua doutrina e diziam: “Ele ensina como quem tem autoridade e não como os escribas!” (Mt 7.29; Mc 1.22; Lc 4.32);
  • Muitos dos discípulos que o seguiam não suportaram a sua mensagem, e diziam: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” (Jo 6.57-66) E já não o seguiam. E o Senhor perguntou aos seus discípulos: Quereis vós também retirar-vos? (Jo 6.67)  Mas Pedro inspirado pelo Espírito Santo, respondeu: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as Palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.” (Jo 6:67-69).

Outros resistiram ao convite de Jesus! Sim, ao convite para a vida eterna com Deus! Rejeitaram porque, para eles, a salvação de sua alma não era prioridade. O jovem rico, tão orgulhoso de ser cumpridor dos mandamentos desde a sua mais tenra idade, após receber de Jesus a resposta à sua pergunta quanto ao que deveria fazer para ser salvo abaixou a cabeça e seguiu triste o seu caminho; pois não foi capaz de abrir mão de suas riquezas materiais. Era ali, exatamente ali onde estava posto o seu coração. Jesus sondou o coração daquele jovem, e o via ajoelhado diante das riquezas, e por isso, rejeitando o seu convite. (Lc 18.18-30). Alguns diziam veementemente que O seguiriam até o fim; como foi o caso de um mestre da Lei (Mt 8.19), a quem Jesus respondeu: "As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça". (Mt 8:20). Outros, naquele mesmo instante, passavam a apresentar inúmeras desculpas para adiar a aceitação do convite do Senhor Jesus. Um dentre a multidão disse: “Deixa-me ir primeiro sepultar meu pai.”, ou seja, aquele homem desejava acompanhar a velhice do seu pai, até que este morresse, e só então, estaria disponível para seguir a Jesus (Lc 9.59); mas Jesus prontamente lhe deu um ultimato, mostrando-lhe que não poderia procrastinar uma decisão tão séria e urgente: “"Deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos; você, porém, vá e proclame o Reino de Deus" (Lc 9:60). A narrativa de Lucas mostra que outro disse: "Vou seguir-te, Senhor, mas deixa-me primeiro voltar e me despedir da minha família". Jesus respondeu: "Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus". (Lc 9:61-62). E em outra situação, O Senhor Jesus afirmou: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem acha a sua vida a perderá, e quem perde a sua vida por minha causa a encontrará.” (Mt 10.37-39). O convite de Jesus não é um convite para segui-lo por um período de tempo apenas, mas é para sempre; pois o Senhor não se agrada daqueles que retrocedem: “Mas o meu justo viverá pela fé. E, se retroceder, não me agradarei dele”. (Hb 10:38).


O convite de Jesus é bem claro em Mateus 11.28-30, quando diz: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”. Para muitos, compreender a natureza do convite do Senhor Jesus é uma difícil tarefa. Digo isto, porque é a impressão que temos quando olhamos com os nossos óculos influenciados pela teologia da prosperidade que está proliferando cada vez mais por aí afora. Temos a forte tendência a levarmos este alívio e descanso oferecido por Jesus no sentido material, financeiro, temporal apenas. Jesus nos garante o descanso para as nossas almas, isto se refere, de forma central, à salvação eterna de nossa alma, cujo resultado nós já começamos a desfrutar aqui, pela fé, este é o antegozo da esperança da glória, que está viva em nós, e que gera em nós este descanso e esta paz, a qual excede todo o entendimento humano. Mas para isso, o Senhor Jesus afirma que há um pré-requisito: Tomar sobre nós o Seu jugo. O que significa isso? Significa que precisamos morrer; precisamos tomar a cada dia a nossa cruz e segui-lo! É passarmos a viver de tal forma que a glória de Cristo seja manifesta aos homens por meio de nossas vidas e de nossa pregação consoante a esta nova vida; é podermos nos alegrar quando o mundo olha para nós e é conduzido a glorificar a Deus, e não a nós mesmos. Precisamos compreender que nascer de novo implica uma vida nova, uma vida onde já não é o meu EU quem me governa, mas o próprio Deus na Pessoa do Espírito Santo, o qual nos guia em toda a verdade, e nos dirige a uma vida que glorifica ao Filho, pois este é, desde a eternidade, o propósito do Pai: a glorificação do Seu Filho em nós, por meio de uma vida santa, a qual Ele mesmo preparou para que andássemos nela, antes mesmo da fundação do mundo; conforme lemos em Efésios 1.4-14 e 2.10. Quando vivermos assim, teremos encontrado o descanso para as nossas almas; e isto só é possível quando atendemos o convite de Cristo para morrermos, para que Ele viva em nós!

Há alguns anos havia um programa de humor que, em um de seus quadros, aparecia uma vinheta proclamando: “Seus problemas acabaram!!!...”. E muitos hoje têm aprendido que aceitar o convite de Jesus significa o mesmo que esta propaganda: “Seus problemas acabaram- venha para Jesus. Pare de sofrer”; e buscam apenas esse tipo de mensagem. Há hoje no nosso País, inúmeras igrejas abarrotadas de pessoas que estão indo a Jesus única e exclusivamente pelo que Ele pode oferecer-lhes materialmente; seguindo os que andam distorcendo a mensagem do Evangelho. E nestas igrejas, para vergonha delas, tudo é feito à base de barganhas: “Dê sua oferta, e tenha seus problemas resolvidos”; ou: “Venha a Cristo e tenha o sucesso da sua empresa garantido.” Que vergonha! Pois, se o próprio Jesus disse no Sermão do Monte: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e as demais coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33); significa que não devemos ter como afã buscar estas coisas temporais como nossa maior meta. Pois tudo pertence a Deus, que distribui como quer, a justos como a injustos, tanto talentos, quanto bens. Ele distribui riquezas a quem Ele quer. E quanto àqueles que as adquirem de forma desonesta, prestarão contas a Deus. Existem ainda barganhas para a salvação dos parentes: “Entregue tudo, e tenha seus familiares salvos ainda este ano.” E desde quando eu tenho o poder de decidir se todos os meus familiares serão salvos e a data em que terão que ser salvos? Se Deus quiser Ele pode salvar todos eles até em uma mesma semana? Sim. Mas Ele é Soberano e não age subjugado pelo homem: “Ai daquele que contende com o seu Criador! O caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou a tua obra: Não tens mãos?” (Isaías 45:9). Ele é Soberano, Ele age como lhe apraz! Ele mesmo afirma: “Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece.” (Rm 9.15-16). Ainda assim, muitos têm resistido ao verdadeiro convite de Jesus, porque é um convite para a morte, e buscado uma mensagem suave e agradável aos seus próprios ouvidos. E não são poucos os que têm se afastado de Deus mesmo enquanto bradam o Seu nome com os lábios, porque o coração deles está posto no mundo e nas coisas que no mundo há. A Palavra de Deus nos diz que “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2.15). E se amarmos mais ao mundo do que a Ele, é porque ainda não estamos dispostos a aceitarmos o Seu convite, morrermos para o mundo, e revivermos para Deus! Jesus jamais prometeu que segui-lo daria a alguém a garantia de uma vida de “sombra e água fresca” aqui no mundo. Pelo contrário, Jesus disse claramente que deveríamos ter paz nEle (Jo 14.27), mas alertou-nos de que no mundo teríamos aflições, e nos incentivou, dizendo: “Mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (Jo 16.33). Ele nunca convidou a ninguém de forma enganosa. Ele jamais maquiou a verdade para agradar seus ouvintes; pois para Ele, a verdade sempre esteve acima da busca por ter sua mensagem aceita por todos; pelo contrário, Ele sabia que por causa de seu discurso muitos o odiariam e buscariam tirar a sua vida, bem como o fariam também contra aqueles que pregassem a mesma mensagem, tanto naquele contexto, como também os que creriam e aceitariam o seu convite posteriormente.


Jesus alertou seus ouvintes de forma clara quando uma grande multidão ia o acompanhando. Este, voltando-se para ela, disse: "Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo. E aquele que não carrega sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo." Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la?Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a virem rirão dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar’. Ou, qual é o rei que, pretendendo sair à guerra contra outro rei, primeiro não se assenta e pensa se com dez mil homens é capaz de enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil?Se não for capaz, enviará uma delegação, enquanto o outro ainda está longe, e pedirá um acordo de paz. Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo."O sal é bom, mas se ele perder o sabor, como restaurá-lo?Não serve nem para o solo nem para adubo; é jogado fora. "Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça". (Lc 14:25-35).

 

O apóstolo Paulo reafirma que servir a Cristo implica sofrimento: Como está escrito: "Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro". (Rm 8:36). Ele diz também aos coríntios: “De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo. Pois nós, que estamos vivos, somos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal.” (2 Co 4:8-11). O autor da Carta aos Hebreus relata que, pela fé, muitos de nossos antepassados que serviam a Deus viram grandes milagres (Hb 11. 1- 32) Mas o autor continua e, na mesma narrativa, sem interrupção, ele segue listando o que outros de nossos irmãos experimentaram, também pela fé; não sendo a vitória deles menor que a daqueles; pois o autor diz acertadamente, que estes mártires cristãos, eram homens e mulheres dos quais o mundo não era digno. (Hb 11.35-39). Mas nós somos tentados todos os dias a acreditar que servir a Cristo é uma vida em que só temos vitória no sentido de sucesso visível aos olhos humanos, em coisas que para o homem tem valor: fama, dinheiro, popularidade, etc. Porém, a vitória daqueles nossos irmãos foi exatamente terem aceitado o convite de Jesus para morrerem para si mesmos, não tendo suas vidas por preciosas, antes servindo ao Senhor fielmente, até o fim. Ou seja, abraçaram a causa do Evangelho, sejam quais fossem as conseqüências disto; mesmo se fosse perder a vida por amor a Cristo, como foi o caso destes irmãos que o autor aos Hebreus cita: “E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas, os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; e outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados.” (Hb 11.32-40). Pra aqueles irmãos lembrados pelo autor aos Hebreus, não importava o quanto o cálice que beberam seria amargo, pois sabiam que Cristo bebera um cálice indescritivelmente mais amargo por amor deles; por isso podiam regozijar-se nas perseguições, nos açoites e até mesmo na morte, porque sabiam que o seu verdadeiro tesouro estava na glória dos céus reservado, e que este tesouro não era limitado a este mundo passageiro.

 

Na caminhada cristã nos deparamos com toda a sorte de lutas. São batalhas diárias que enfrentamos no reino espiritual, as quais, só conseguimos vencer se estivermos em Cristo e revestidos de sua Armadura, descrita em Efésios 6.10-18. Isso deixa claro que aceitar o convite de Cristo é um compromisso sério a assumirmos. Mas esta resposta positiva a um convite tão sério é gerada pela ação do próprio Deus na vida daquele que nasce de novo; e somente eles aceitam a este convite, mesmo se tratando de um convite para morrer, passando a mortificar os membros do seu corpo em servidão a Deus e não mais aos seus próprios desejos carnais; estando agora dispostos a enfrentar toda a sorte de dor ou opressão causada pela presença do pecado; mesmo estando já livres do seu poder, por meio da Obra de Cristo; (pois só estaremos completamente livres da presença do pecado na glória, onde está o Senhor, onde já não haverá pecado), porém sabendo que não estão sós; que o Senhor deu-lhes O Consolador, o qual os conduz vitoriosos até que se encontrem de pé, na presença do Cordeiro, do Noivo, quando este voltar para a sua Igreja, e assim estarão para sempre com Ele.
“Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna.” (Jo 12:25).
O convite está lançado; quem irá atendê-lo, mesmo que seja um convite para morrer?