Quando o louvor cantado é adoração a Deus

 

Ana Chagas

 

 

 

O fato de cantarmos uma música evangélica significa que estamos louvando a Deus? Quando louvor e adoração estão entrelaçados? O que prometemos a Deus nas músicas que cantamos?

Estas e outras questões surgem quando pensamos acerca do que é de fato adorar a Deus. Precisamos nos certificar acerca de que tipo de oferta temos trazido perante o Senhor continuamente, e se, de fato, este louvor é aceitável a Ele.

Texto básico: Salmo 50. 14

“Oferece a Deus sacrifício de Louvor e paga ao Altíssimo os teus votos.”

O Senhor, nosso Deus é digno de todo o nosso louvor, de toda a nossa adoração, de que vivamos para a sua glória e que tudo aquilo que produzamos direcionando a Ele lhe seja agradável como cheiro suave às suas narinas. Não podemos levar fogo estranho à Sua santa presença, nem mesmo louvor apenas de lábios Por isso precisamos pensar um pouco como está a nossa prática e postura diante de Deus em relação ao louvor.

 

1- COMO DEVE SER O LOUVOR CANTADO QUE OFERECEMOS A DEUS:

  • Deve ser a expressão de uma vida de verdadeiro Louvor a Deus (Sl 126. 1-2)
  • Deve ser fruto de lábios que confessam o seu Nome; resultado de uma vida rendida e maravilhada diante
    de sua grandeza e majestade. (Hb 13.15)
  • O tipo de Louvor que eu ofereço a Deus depende de como eu me relaciono com Ele (I Co 14.15b)

 

2- QUANDO DEVEMOS OFERECER LOUVOR A DEUS:

Devemos oferecer o nosso louvor continuamente.

  • Em todo o tempo (Sl 34.1)
  • Independente das circunstâncias (Hc 3. 17.18; II Co 5. 7; At 16.25)

 

HÁ ALGUNS QUESTIONAMENTOS QUE DEVEMOS FAZER ACERCA DO LOUVOR QUE TEMOS OFERECIDO A DEUS:

A- Que tipo de louvor nós temos oferecido ao nosso Deus? (Rm 12.1-2)

Devemos louvá-lo pelo que Ele É e não apenas pelo que Ele nos dá.

  • Paulo e Silas estavam sofrendo, Deus havia permitido, mas mesmo assim tinham o coração cheio de desejo de louvar a Deus. (At 16.25);
  • Jó passou por todas as provas, mas continuou tendo o seu coração adorador diante de Deus. (Jó 1. 20-21)

 B- Como estamos cantando? (I Co 14.15b)

Nosso culto a Deus deve ser um culto racional, isto é, devemos orar percebendo cada palavra que dirigimos a Ele e o que cada uma delas representa para a nossa vida em termo de responsabilidade e compromisso; e não como quem joga palavras ao vento.

C- O que estamos cantando?

Temos sido responsáveis ao prometermos algo ao Senhor quando estamos emocionados no momento de Louvor cantado?

Deus não é criança de forma que não saiba quais são as nossas verdadeiras motivações e intenções; de forma que não perceba quando estamos apenas emocionados, porém sem entrega de alma na sua presença. O nosso relacionamento com Ele deve ir muito além de meras palavras, não podemos ser como um jovem que se aproxima de uma moça prometendo, na linguagem popular, “o céu e a terra”, mesmo sabendo que não tem intenção de cumprir, e que, depois que o tempo passa acaba deixando claro pra ela que em suas palavras não havia nenhum resquício de verdade, e que visava apenas obter algo dela; Deus conhece nossas intenções antes mesmo que elas brotem em nosso coração (Sl 139.1). Ele conhece quando o nosso louvor é só de lábios. O pregador nos diz: "Quando a Deus fizeres algum voto, nção tardes em cumprí-lo;porque não seagrada de tolos. Cumpre o voto que fazes. Melhor é que não votes do que votes e não cumpras." (Ec 5.4-5).

D- Quem é o centro de nossas músicas?

               O louvor que verdadeiramente agrada a Deus é aquele que centraliza a pessoa de Cristo, que O exalta, que dá a Ele a primazia que lhe é devida; a Ele, que " mesmo sendo Deus não usou por usurpação ser igual a Deus, antes se esvaziou de si mesmo, fazendo-se semelhante aos homens; sendo obediente até a morte e morte de cruz, se fazendo maldição no madeiro em nosso lugar; conquistou um Nome que está acima de todo Nome, para que ao Seu Nome se dobre todo joelho (...) E toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.” ( Fp 2. 6-11). Temos ouvido hinos que são um assassinato ao conteúdo do Evangelho. Assim como há músicas não cristãs que nem a lixeira aceita, também há músicas evangélicas,ou "gospel" que nunca deveriam sequer ser ouvidas. São músicas onde o centro é o conforto humano, ou seja, músicas que subjugam a Deus pelo bel-prazer humano; que passam a ideia de que com Deus existem barganhas, e de que o mundo tem que aplaudir o crente; e que, pelo fato de ser próspero materialmente é que se prova ter a bênção de Deus.


O louvor que consiste em verdadeira adoração e agrada a Deus segue a alguns critérios:

  • Exalta a Deus (Pai, Filho e Espírito Santo). Toda glória é única e exclusivamente para Deus.
  • É fiel à Verdade Bíblica, ou seja, não contém erros teológicos que diminuem o caráter e nem o poder de Deus;
  • Reconhece a Soberania de Deus. Coloca o homem sempre como servo; ou seja, não rebaixa a Deus ao nível de servo da vontade e dos caprichos do homem;
  • Reconhece a total incapacidade do homem em justificar-se a si mesmo;
  • Expressa emoção espiritual autêntica e equilibrada; logo, não deve haver manifestações emocionais vazias (Deus nos sonda e nos conhece- Sl 139.1). O nosso relacionamento com Deus deve ter duas dimensões harmoniosas, a saber, a razão e a emoção genuína na presença de Deus. O nosso Culto é racional (Rm 12.1), não é algo que nos aliena, mas que nos mantém cada vez mais próximos de Deus; e isto não se restringe como pensam alguns, àquele momento específico no culto solene de louvor cantado, mas deve permear todo o nosso viver, dentro e/ou fora das paredes do templo, e isto envolve conhecimento de Deus (Leitura da Bíblia + Oração + Arrependimento + Anulação do EU= Adoração)
  • É legítimo. Não há espaço para imitações a cantor A ou B;
  • Não visa a presença de animadores de palco, mas de irmãos que ministram e nos conduzem a também adorar Àquele que É digno. Aquele que adora com o coração quebrantado e contrito, automaticamente leva os outros a assumirem a mesma postura reverente diante de Deus; todos os que verdadeiramente vieram à igreja com a motivação de adorar, irão adorar junto a quem ministra.
  • Não acontece apenas quando o som e instrumental é altamente qualificado; embora um som com defeito seja, às vezes, um obstáculo à concentração daquele que canta e busca contemplar a grandeza de Deus.
  • A primazia dos que cantam é a glória de Deus em tudo, principalmente nas músicas das quais gostamos e escutamos ou, numa linguagem mais jovem: “curtimos”; pois o nosso prazer deve estar em Deus e em tudo que se relaciona a Ele; todo o tempo, no que fazemos, falamos ou pensamos. Sl 1.2: "Antes, o seu prazer está na Lei do Senhor, e na sua Lei medita de dia e de noite." ; Fp 4.8: "Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento."

Infelizmente, temos visto pessoas que não têm escolhido com sabedoria os hinos a serem cantados. Elas estão direcionando o Louvor para todos ao lados, menos para Deus.

 

3- MENTIMOS PARA DEUS ENQUANTO CANTAMOS:

Vamos comentar alguns exemplos de trechos de hinos onde, nós corremos o grande risco de estar empenhando falsamente a nossa palavra para com Deus se não formos zelosos e fiéis:

  • A Bíblia diz: “Enchei-vos do Espírito Santo, e jamais cumprireis a vontade da carne” (Gl 5.16). Nós cantamos: “Sonda-me: “[...] E enche-me até que em mim se ache só a ti [...]” ; mas há casos em que, no dia seguinte, negamos aquilo que cantamos nos cultos solenes para Ele. Como? Com o nosso mal testemunho. Precisamos compreender o que de fato significa ser testemunha de Cristo, e qual é o peso desta responsabilidade na vida daqueles que passaram a andar com Cristo diante do mundo.
  • Sl 100.2 diz: “Servi ao Senhor com alegria”. Nós cantamos: “[...] Meus dons e talentos são pra te servir, meus dons preciosos são teus [...]”; no entanto, no momento em que se faz necessário nos dispormos a servir na Obra do Senhor, simplesmente dizemos não ou damos qualquer desculpa para nos desvencilharmos da nossa responsabilidade no Reino de Deus; ou ainda, fazemos a obra, mas não por alegria, mas com preguiça e como se servir a Deus fosse um fardo terrível. Jesus disse que aquele que quiser ser grande no reino de Deus seja este que sirva a todos. O que teremos em troca? Aquele que serve de coração e com alegria terá esta preocupação bem longe de seus pensamentos e de suas intenções.
  • Em Dt 28. 1-2 Deus diz que se obedecermos a seus preceitos verdadeiramente, seremos abençoados. Não precisamos correr atrás de bênçãos, mas apenas viver em obediência ao Senhor nos traz bênçãos espirituais e também materiais, de acordo com a vontade de Deus para as nossas vidas. Nós cantamos: “Se atentamente ouvir a Deus e os mandamentos seus obedecer [...]
    Eu não correrei atrás de bênçãos”...
    E depois, lá estamos nós, vivendo em desobediência e indo procurar bênçãos materiais, vaidades terrenas,, desesperadamente aqui, e acolá. Precisamos trazer à nossa mente que O nosso Deus é o Deus de perto e também de longe; o adoremos em espírito e em verdade, e sua bênção estará sobre nós constantemente, nos trazendo a paz que excede todo o entendimento e nos ajudando a lidar com as dificuldades e a suplantar toda a dor e sofrimento pelos quais tenhamos que passar. Lembremo-nos do que Paulo diz: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece (Fp 4.13).
  • Isaías disse ao Senhor: “Eis-me aqui, envia-me a mim”. Nós cantamos: “Eis-me aqui, eu livre estou ao teu dispor para onde tu quiseres me enviar...
    A questão é: Estamos mesmo à disposição de Deus como cantamos dizendo que estamos?

Existem muitos outros hinos que poderíamos citar aqui, mas fica aqui o incentivo a que pensemos sobre como anda o nosso louvor a Deus, na nossa vida diária e o que temos oferecido a Ele em forma de canção em casa ou na igreja.

Augustus Nicodemus Lopes diz que, em se tratando de música, nunca é demais acentuar que a teologia de uma igreja é influenciada pela música que ela canta. Seus pastores podem pregar sermões doutrinariamente corretos, mas se em sua igreja as músicas cantadas escapam ao que ensina a Bíblia, estas músicas poderão influenciar mais que as palavras do pastor.

Lembro que o Pr. Joelson Gomes também salientou em uma de suas pregações, que a teologia de uma igreja é expressa nas músicas que ela canta.

Ou seja, é o Ensino fiel da Palavra que deve reger a escolha dos hinos que trazemos para a liturgia do culto, e esta escolha não pode ferir as verdades acerca de quem é Deus, acerca de Sua glória, acerca de Sua Soberania e do Seu poder. Muitas músicas por aí têm transformado Deus em um boneco manipulável, e isto é vergonhoso.

 

Que o nosso louvor, não esteja limitado àquele do momento cantado na liturgia do culto solene, mas esteja no nosso viver diário na presença de Deus. Que seja algo tão genuíno que venha impactar a nossa vida, e a partir de nós, desemboque em glória para Deus na vida da nossa igreja e da nossa Comunidade.