O falso evangelismo entre nós

 

Leonardo Félix

 

 

 

Muitas igrejas no desejo de atrair os incrédulos têm realizado um falso evangelismo. Evangelizar é comunicar a boa noticia de Deus. Essa notícia foi nos dada pela revelação de Cristo segundo as Escrituras. Entretanto, acredita-se em nossos dias que evangelizar é o mesmo que dizer apenas uma palavra de Esperança numa promessa qualquer – que não é a glória de Deus.

Atores, jogadores de futebol, empresários estão sendo chamados a participarem da igreja convencido de que foram evangelizados por uma mensagem que se resume em: “Deus tem o
melhor para você”. O evangelismo tem promessas maravilhosas. Elas são o fim que aguardamos quando depositamos a nossa fé em Jesus e assumimos a responsabilidade do discipulado. O evangelismo, em muitos

casos, tem sido apresentado de modo parcial e prejudicial. Percebo que muitos evangelistas pontuam sua mensagem apenas no fim, omitindo a razão de termos em Cristo a boa notícia.

O evangelho é bom quando compreendemos, antes de tudo, a nossa incapacidade de participar da glória do Senhor. Segundo o apóstolo Paulo: “[...] todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Rm 3:23). O pecado nos impossibilita de refletir a santidade do Senhor. Porém, em Cristo podemos participar da glória eterna de Deus (Jo 3:16).

Um evangelho pregado parcialmente produz vidas defeituosas. Não é difícil encontrar pessoas decepcionadas com o evangelho que ouviram. Por acreditarem que suas vidas iriam melhorar instantaneamente logo se frustraram ao perceber que o prometido não foi cumprido. Esses foram levados a focar apenas o fim da mensagem e desconheceram o custo do discipulado que envolve renuncia a toda idolatria, a começar pela a adoração de si mesmo. Jesus disse aos que queriam segui-lo: “[...] Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16:24).

Quando o evangelismo é feito sem deixar clara a implicação do discipulado enfraquecemos o seu poder transformador. Uma vez que a vida de Cristo seja formada na vida do discípulo inevitavelmente ele transformara as dimensões de sua existência, ou seja, tudo o que ele faz ganhará um novo sentido. Entretanto, isso não será fácil. Jesus nos mostra que seguir a ele é voluntariamente tomar a cruz. O caminho até a glória que nos está reservada junto ao Pai deve ser percorrido com o peso da cruz. Aqueles que abandonam a cruz [o caminho de Cristo] não podem ser considerados cristãos.

Enquanto usarmos um falso evangelismo que aponta os privilégios e omite as responsabilidades nossas igrejas permaneceram insípidas. Um cristão que assume o discipulado é um novo pai, mãe, filho, gerente, professor, etc. Não porque participa de uma igreja evangélica, mas porque o seu viver é o viver de Cristo. Ele anda na contramão do mundo, pois entendeu que é perdendo a sua vida que ganha a verdadeira vida (cf. Mc 8:35).

Precisamos pregar integralmente o evangelho se quisermos evangelizar de verdade. Nossa mensagem não é uma tapeação para fisgar pessoas e assim encher nossos templos. Nosso evangelismo dever ser avaliado pela fidelidade à mensagem bíblica. O evangelismo verdadeiro torna explícito o Cristo, a cruz e a glória reservada para os que o reconhecem como Senhor de suas vidas. Sem que isso seja anunciado estaremos anunciando um falso evangelho. 

Você tem pregado integralmente o verdadeiro evangelho do Cristo, da cruz e da glória?

 

Fonte: Crítica Sagrada