A masturbação sob uma perspectiva cristã  
Pr. Leonardo Félix
 

Para muitos cristãos, na sua grande maioria, jovens, a masturbação tem sido uma prática mal compreendida. Para alguns, masturbar-se é uma prática natural do próprio organismo. Para outros, a ejaculação não pode ocorrer enquanto não estiverem casados. O problema que vejo nessa discussão está na questão: é pecado se masturbar? Ou seja, temos certeza que estamos na vontade de Deus todas as vezes que nos acariciamos? Gostaria de refletir um pouco sobre a questão. 

 

Primeiramente, gostaria de conceituar a masturbação. Para que não tenhamos conflitos, "masturbação é o ato pelo qual a fantasia sexual leva a pessoa a acariciar o seu órgão genital até lhe dar prazer”. As fantasias são criadas pela mente. Aquilo que os sentidos captam produz uma série de conecções que podem levar o cérebro a ativar os desejos sexuais. Cristo disse: “Os olhos são a lâmpada do corpo” (Mateus, 6:22). Sua metáfora é mais bem entendida em termos daquilo que o homem vê e deseja para o seu coração. Uma vez que os olhos desejam o que lhe é mal, o seu corpo é afetado. Por exemplo, a pornografia é consumida pelos olhos e afeta o coração.

Na masturbação não existe uma fantasia desprovida da imagem de outra pessoa – embora, há quem sente desejos por animais (Zoofilia), sendo considerado um caso anormal. O ato desejado é o sexo e isso ocorre naturalmente entre seres da mesma espécie. Quando o desejo de possuir alguém em condições ilícitas toma a mente o pecado vem à tona. Jesus deixou bem claro em sua exortação acerca do adultério, que “qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mateus, 5:28). Sendo assim, o pecado não ocorre apenas em ato, mas em atitude. Mesmo que alguém não realize concretamente uma ação, a sua intenção o faz pecador. Por isso, quem usa a imaginação para desejar o que não lhe é permitido comente pecado.

Em relação à masturbação a cobiça dos olhos lhe põe no coração o desejo por alguém que não lhe pertence e que é desejado em condições erradas. Para os jovens solteiros a masturbação evoca eroticamente uma pessoa com quem ainda não se tem uma relação conjugal. Nesse caso se faz a usurpação do corpo da outra pessoa no imaginário. Além disso, as condições de desejar sexualmente, mesmo que seja só em intenção, antes do casamento é o mesmo que cometer fornicação, o que é transgressão à vontade de Deus. 

O problema daqueles que convivem com a prática da masturbação não é apenas uma questão de vício, mas de pecado mental. Nossas mentes tende ao mal e precisamos sempre trazê-la ao equilíbrio de Deus. Ela deseja o caminho da carne. Esse é o seu desejo natural, porém devemos buscar o domínio da mente. Paulo nos ensina que o domínio próprio faz parte do fruto do Espírito em nós (cf. Gálatas, 5:22,23). Dominando a mente poderemos enfrentar as tentações da carne. As setas do diabo são lançadas na mente para que caiamos, mas com a armadura de Deus em nós podemos suportar as suas investidas (Efésios, 6:11). 

É preciso que se diga que mesmo que caiamos no pecado da masturbação, ele não poderá nos afastar do amor de Deus (Romanos, 8:39). Em Cristo foi expiado todos os nossos pecados. Nenhum pecado pode trazer condenação eterna para os filhos de Deus. Entretanto, as suas consequências nessa existência são inevitáveis: a tristeza interior por ter desagradado a Deus, os efeitos físico-psico-sociais que podem advir sobre aqueles que cometem tal ato. Pode ser terrorista e mentirosa qualquer afirmação que leve alguém que está em Cristo a uma situação de condenação eterna (cf. Romanos, 8:1). O pecado deve ser algo não premeditado, acidental, na vida dos filhos de Deus. Ele não causa deleite naqueles que foram feitos nova criatura. O arrependimento é uma forte evidência da presença do Espírito em nossas vidas.

Peçamos a Deus poder para luta contra os desejos carnais que ainda existem em nós. O erotismo pecaminoso e consequentemente a masturbação é um campo de batalha entre o Espírito e a carne (cf. Gálatas, 5:17). Por isso, é preciso que estejamos fortalecidos para resistir à tentação de acariciar o corpo por fantasias impuras da mente.

O Senhor Deus nos criou perfeitamente. Ele providenciou o meio para que os espermas sejam expelidos. Através da “polução noturna” o nosso corpo os expele sem que tomemos a dianteira ativamente do nosso corpo. Além disso, ocupemos nossa mente com aquilo que é puro. Evite a pornografia, a lascívia e qualquer outra coisa que mexa com as tuas fantasias. Conheça a ti mesmo. Não alimente aquilo que agita os teus hormônios.

Deus nos conceda poder e sabedoria.

 

Fonte: Crítica Sagrada