A ética de que precisamos  

Leonardo Félix

 

 

 

 

Tem muito cristão com medo de viver a ética do reino. Para alguns ela é muito custosa, uma vez que viver segundo Cristo é perder o contato com aqueles que sustentam sua vida financeiramente. Se os teus padrões de certo e errado sucumbem à pressão daqueles que são abastados financeiramente, é hora de voltar a Cristo. Deus nos deu em sua Palavra valores que determinam a vida eterna entre nós. Precisamos es se desejamos transformar o mundo.

Gardner (1) define ética como "a anaálise sistemática da natureza da vida moral humana, incluindo os padrões de certo e errado pelos quais sua conduta pode ser guiada, e os bens últimos para os quais essa conduta possa ser dirigida". Quando agimos eticamente, agimos segundo parâmetros que acreditamos serem os melhores caminhos para o fim que desejamos. Em termos cristãos, agir eticamente é seguir o caminho que nos leva a Deus. Jesus deixou claro que Ele é O Caminho, e ninguém vai ao Pai senão por Ele (João 14.6).

A nossa ética é ordenada pela vida de Cristo. Tudo o que fazemos precisa ser avaliado segundo a vida dele, se assim quisermos viver no reino de Deus- que é o mesmo que viver a sua ética. Infelizmente muitos crentes têm corrompido a ética do reino. Há alguns instantes atrás estava ouvindo certo brasileiro aconselhar seus fiéis a conquistar seus sonhos com sabedoria. Até aí,tudo bem. O problema veio quando ele ensinou como fazer isso. Uma de suas sugestões foi que o cristão deve “ser experto e comer pelas beiradas” (sic). O fim não importa se você tem sabedoria. Tudo o que você sonhar conquistará com um pouco de estratégia.


Tanto os meios como os fins para Deus precisam ser legítimos. A ética maquiavélica não condiz com o que Jesus nos ensina. Essa história de que “os fins justificam os meios” não está de acordo com a justiça de Deus. Já imaginou se Deus omitisse a cruz só para que pudéssemos participar de sua glória? Onde ficaria a sua justiça e santidade. O fato é que ele propôs um meio santo para nos leva a Ele. Nossa ética foi revelada pelos profetas e apóstolos. Jesus se encarnou para nos mostrar o caminho de volta a Deus.


Enquanto nós não encarnarmos a ética de Cristo permaneceremos sem voz e sem vida. Precisamos oferecer uma alternativa à ética perversa do mundo. Temos visto a desumanização imperando nos relacionamentos. As pessoas deixaram de ser o fim para se tornarem o meio. Vemos isso em pessoas que na busca por riqueza destratam o seu próximo. Como o sacerdote e o levita na parábola do bom samaritano, passam de largo ante as necessidades humanas. A ética do reino nos leva de volta ao relacionamento com Deus e com o próximo.
A ética cristã humaniza nossas relações, valorizando o homem e suas necessidades. O outro não é um indivíduo só no mundo, ele é parte da família de Deus. Em Cristo somos irmãos. Paulo ilustrou essa nova relação através da imagem de um corpo, onde “se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam” (1 Coríntios, 12:26). A ética do reino prevalece nessa comunidade.


O status social desse mundo não pode predominar sobre a comunidade de Deus. O maior no reino dos céus é o menor. Devemos respeitar os homens não por causa de sua conta bancária, mas pela sua vida de serviço ao próximo e a Deus. Esses são os verdadeiros líderes. Precisamos de pessoas que saibam servir como Cristo. Homens e mulheres que reconheçam que somos todos iguais em Jesus. Pobres ou ricos,  somos um em Cristo.
Peço a Deus que nos instigue a viver segundo a ética do seu reino. Quando assim vivermos, então brilharemos nas trevas. Nosso dever é ensinar Cristo aos homens. Ele é a porta de Deus; a alternativa ética para um mundo regido por Mamon (2). Não podemos deixar que os valores do mundo se confundam com os de Cristo. Para isso voltemos à Palavra e busquemos o verdadeiro caminho para Deus.


Referências:
(1) GARDNER. E. C. Fé bíblica e ética social. 2. ed. Rio de Janeiro: JUERP E ASTE, 1982, p. 20.

(2) Mamon é um termo, derivado da Bíblia, usado para descrever riqueza material ou cobiça, na maioria das vezes, mas nem sempre, personificado como uma divindade. A própria palavra é uma transliteração da palavra hebraica "Mamom" (מָמוֹן), que significa literalmente "dinheiro" (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mamon).

 

Fonte: Crítica Sagrada